segunda-feira, 9 de junho de 2014

Entendendo, mas sem aceitar tudo

 - Há dias em que questionamos tudo, até o que fizemos até aqui. Isso mesmo, tudo, até se o futuro compensa. Quero dizer, dá a impressão que estragamos tudo até agora e já é tarde pra juntar os cacos.

"Vivendo um dia de cada vez nesses últimos dias. Acho que todos os dias sempre foram assim, eu é que nunca percebi."


Com ou sem preocupações as situações continuam
Com ou sem a gente o trem também continua, e segue firme ao seu destino
O que mais importa é o foco na solução, e não no problema

Vez ou outra o medo vira raiva e a raiva vira ódio
E essa perdição natural pode nos levar à destruição
Tão naturalmente a ponto de passar percebido apenas aos outros olhos

É comum não entendermos certas coisas, certas injustiças
Mas até que ponto somos justos?
Primeiramente, não conhecemos a nós mesmos

Gostamos de questionar, mas não temos espelho

Aos poucos percebo que tenho tudo na hora em que quero
E mais lentamente entendo que muito menos é o que eu preciso
Outro dia entendi que fazer um fondue em casa é muito divertido!

As outras coisas não pagam o meu sono.


 - Daniel Dutra

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Opposé, avant


 - Graças aos céus, correu tudo bem!

"A cada dia que passa eu me convenço de que tudo já está escrito. As situações que vivemos são apenas para irmos amadurecendo."


Vida que segue
Eu já disse isso em outros momentos
Vida de aprendizado, vida pra se viver

Não imagino uma vida sem emoções
A aventura intelectual nos transforma
A gente demora a perceber todos os sinais

Depois da tempestade podemos refletir
Depois da calmaria criamos a força
O decorrer fica menos árduo após o alívio

A vida cobra o que ela nos dá
Mas também nos agracia
A força sempre esteve dentro de nós


 - Daniel Dutra

terça-feira, 8 de abril de 2014

Cauteloso


 - Passei os últimos dias olhando pra fora da caixa.

"Eu até posso jurar que faço algumas tentativas, mas os impulsos não me calam."


Persuadido de ideias peculiares
Eu imagino que minhas opções são poucas
E ao meu ver, forçadas
Entretanto, um ato de anteparo

Pena pensar em tais possibilidades
Que tudo não passe de meros delírios!
E que o amanhecer seja arrebatador!
Quero estar enganado

Só eu sei o quanto quero.


 - Daniel Dutra

segunda-feira, 31 de março de 2014

Querido norte


 - Houve dias em que a sintonia entre o acordar e o entardecer era de uma magnitude parlamentar nada ambígua.

"Ou melhor dizendo, já foi mais fácil dormir; já foi mais difícil acordar."


O paralelogramo das situações muitas vezes não bate
Às vezes é preciso transformar em círculo para dar liga
O que não quer dizer que não possa ser de outro jeito
Desde que o sentido não seja alheio ao assunto ou propósito

Difícil mesmo é entender o cotidiano dos conceitos
Não há uma tecla tradutora capaz enveredar às mentes alheias
O pensamento é ímpar e implausível de adivinhações
Queria eu poder me dispersar de toda essa burlesca


 - Daniel Dutra

terça-feira, 18 de março de 2014

Um novo olhar para o mesmo caminho


 - Novamente coloco-me à disposição do que vem pela frente.

"Toda vez que faço um imenso esforço para ter o controle do que me cerca, percebo que o caminho é mesmo seguir pela ordem dos acontecimentos."



O colapso das ideias depende só das intenções

O mundo gira na direção que olhamos
Mas como ter certeza do certo?
As variáveis recorrem ao olhar permanente às vertentes

Na medida que os meios sepultam as razões

Os velhos prólogos emergem nos mais puros deleites
Todavia não perderemos a esperança de ruínas melhores
Há quem diga que a dispersão está na interpretação


 - Daniel Dutra

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Livro velho

 

Nos mais distantes dias
Eu me encontro perto
Na proximidade e no calor
Eu prefiro o "meu certo"

No susto que levo
Eu me encontro vivendo
Mas na calmaria tanto desejada
Eu sinto falta do vento

Tudo me leva a crer
Porém nada me dá certeza
Se pra tudo sou cético
Pra nada cabe a tristeza

De um lado, um livro velho
Do outro, a pequena taça
Um texto sempre na moda
Um leitor às traças

Uma busca constante pelo novo
A caridade da internet
O meu ringtone manjado
O mesmo filme na Net


Daniel Dutra
24/09/2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O povo


Algumas pessoas mudam. Normal, todo mundo muda. Mas algumas chegam a ficar irreconhecíveis.
E eu andava me perguntando se deveria dar tanta ênfase pras mudanças desse tipo das pessoas próximas. Em outras palavras, me preocupar, tentar entender os motivos que levaram às mudanças, me adaptar, enfim.
Bem, coincidentemente, eu estou lendo um livro que fala um pouco sobre isso, e tinha uma frase assim: " a seriedade leva ao julgamento; o alto-astal, à compreensão. Uma boa maneira de saber como anda o seu astral é observar se está julgando os outros. Quando alguém está feliz, não perde tempo nem energia com isso". 
Então foi exatamente nesse momento que comecei a refletir mais sobre tudo ao redor disso. E tem sim muito a ver com alto-astral. Eu queria pensar nesse assunto, nas mudanças das pessoas próximas, mas algo sempre desviava a minha atenção, e geralmente eram outros assuntos, coisas boas e mais interessantes. Foi quando me dei conta que eu, mesmo querendo, não conseguia perder mais que dois minutos pensando nisso, exatamente porque eu estava de alto-astal, e por isso não conseguia julgar as pessoas, e sempre compreendia que se tratava de um assunto que não era meu, e que perder tempo tentando me aprofundar nos assuntos alheios seria um grande desperdício de energia. Energia que eu poderia estar usando pra outras coisas.

Todo mundo tem
Mas ninguém vê
A gente acha que não
Mas por trás tem um sim

Nunca é demais
Mas sempre é o bastante
Ta faltando mais
Ta sobrando menos

Toda vez é tarde
Mas nunca é cedo
Vezes outra vai
Outrora foi

Hoje é cara
Amanhã é rosto
Ontem nem era
Esse é o povo!

São esses que governam o mundo
E cadê o povo, minha gente?
Foram pra casa...
...espiar o mundo!


Daniel Dutra
08/07/2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Fazer valer

Destinos se cruzam a todo momento
E novamente achamos que nada é por acaso
Aí agradecemos e nos enchemos de esperança
É quando nos damos conta que a coincidência são os nossos sonhos
Ter a vontade de conquistar, alcançar, poder enfim desfrutar da felicidade é o que há de mais incomum nos destinos da maioria das pessoas
Mas não são todos que sabem contar a continuação dessa história
Num determinado instante da vida as pessoas acordam desses sonhos e há os que os vivem e há os que chamam isso apenas de sonhos, meros sonhos…


O melhor toque do despertador
A temperatura ideal da água
Comer o que satisfaz
Não esquecer a toalha molhada na porta de traz

Hoje é o grande dia
Hoje não é apenas hoje
Hoje é mais especial do que qualquer outro hoje
Hoje é o último dia e eu só tenho hoje

Fazer tudo ao mesmo tempo,
Ou definir prioridades?
Organizar a agenda,
Ou viver tudo de uma vez?

Viver um dia de cada vez
Dar sentido a cada instante
A intensidade que está ao nosso alcance
A satisfação no final

O caminho mais rápido
O lanche compacto
A atenção que quer fugir
A hora que não passa

O cansaço que derruba
O carinho que aconchega
O sorriso que amortece
E a única certeza: é que já anoitece


Daniel Dutra
24/06/2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

Conhecimento restrito


Ontem eu li um artigo novo
Novo porque tinha acabado de lançar
Mas seu texto era velho
Velho como nossa vontade de inventar

Por todos os cantos os mesmos assuntos
A velha e boa fórmula de chamar a atenção
E ninguém percebe que já sabe tudo sobre o tema
E consomem, alimentando a saturação

As coisas acontecem muito rápido
As novidades são vastas e passageiras
O lançamento de ontem já foi explorado hoje
E as atualizações tornam-se mais corriqueiras

Tem muita ideia morrendo no papel
Ops, digo no tablet... no ce-lu-lar...
As invenções mudam o mundo
E esse mundo é o que acabam de lançar

Não há mais barreiras ou limites
O homem prova a ele mesmo que não há o que provar
A capacidade humana de criar é infinita
E o lado humano tenta se recriar

Hoje a rede é o segundo lar, ou o primeiro
A conexão tornou-se o portal da salvação
E quanto mais pessoas ao redor, “seguindo”
Maior é o ego e a autoafirmação

Pois é, é bom saber que não estamos sozinhos
Afinal, com tantos “amigos”, quem pode ser só?
Quem pode sentir um vazio ou vontade de abraçar?
Basta apenas chamar a atenção pra si só

Não há mais segredos ou omissões
Os álbuns revelarão toda a verdade escondida
O reality show começa e só um pode ganhar:
Aquele que provar ter a “vida mais perfeita pra toda vida”

Acho que muita coisa se tornou “mainstream”
Poucos movimentos permanecem seletivos
As pessoas inteligentes caçoam delas mesmas
E o que temos aí é o conhecimento restrito

Quem prefere o outro lado opta por outro mundo
É isso aí: o mundo mudou, e já não sei mais quem é esse
O mundo me desfigurou, e para o mundo não tenho cara...
Não tenho identidade, não tenho “Face”...


Daniel Dutra
11/06/2013

segunda-feira, 18 de março de 2013

Noites




















Nem sempre estou nos lugares certos
Mas posso dizer que sei por onde andei
Plantei sem saber o que colher
Sonhei e pedi para acontecer

Nas manhãs imaginava um começo

Mas os dias me mostravam tudo igual
Eu deitava e me punha a refletir
Eram horas sem ter como dormir

Na viagem do passado ao presente

Sempre boas estórias pra contar
E na trilha dos ensinamentos
Só a calma pra uma solução encontrar

E em meio a toda essa busca

Com o destino me deparei
E me lembrei de todo o caminho
Das mais longas estradas que percorri sozinho

Mas só assim pra eu entender

Que a ansiedade é fadada ao desespero
E que não adianta sofrer de antemão
O que importa mesmo é viver toda emoção


Daniel de Araujo Dutra
18/03/2013