terça-feira, 11 de junho de 2013

Conhecimento restrito


Ontem eu li um artigo novo
Novo porque tinha acabado de lançar
Mas seu texto era velho
Velho como nossa vontade de inventar

Por todos os cantos os mesmos assuntos
A velha e boa fórmula de chamar a atenção
E ninguém percebe que já sabe tudo sobre o tema
E consomem, alimentando a saturação

As coisas acontecem muito rápido
As novidades são vastas e passageiras
O lançamento de ontem já foi explorado hoje
E as atualizações tornam-se mais corriqueiras

Tem muita ideia morrendo no papel
Ops, digo no tablet... no ce-lu-lar...
As invenções mudam o mundo
E esse mundo é o que acabam de lançar

Não há mais barreiras ou limites
O homem prova a ele mesmo que não há o que provar
A capacidade humana de criar é infinita
E o lado humano tenta se recriar

Hoje a rede é o segundo lar, ou o primeiro
A conexão tornou-se o portal da salvação
E quanto mais pessoas ao redor, “seguindo”
Maior é o ego e a autoafirmação

Pois é, é bom saber que não estamos sozinhos
Afinal, com tantos “amigos”, quem pode ser só?
Quem pode sentir um vazio ou vontade de abraçar?
Basta apenas chamar a atenção pra si só

Não há mais segredos ou omissões
Os álbuns revelarão toda a verdade escondida
O reality show começa e só um pode ganhar:
Aquele que provar ter a “vida mais perfeita pra toda vida”

Acho que muita coisa se tornou “mainstream”
Poucos movimentos permanecem seletivos
As pessoas inteligentes caçoam delas mesmas
E o que temos aí é o conhecimento restrito

Quem prefere o outro lado opta por outro mundo
É isso aí: o mundo mudou, e já não sei mais quem é esse
O mundo me desfigurou, e para o mundo não tenho cara...
Não tenho identidade, não tenho “Face”...


Daniel Dutra
11/06/2013

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